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segunda-feira, 18 de maio de 2015

CHUVA NA SEARA


Primeiro o vento, raivoso, em turbilhões
Move a seara numa louca dança
Anunciando a chuva que avança
Distribuindo faíscas e trovões.

Vibrando, a chapa de zinco do telhado
Ensurdece quem dela faz abrigo
Enquanto que lá fora o loiro trigo
Pela chuva e pelo vento é fustigado.

Cai forte, sim, mas não demora
A chuvada que por essa terra fora
Vai formando charcos e torrentes

E quando a nuvem negra vai embora
O sol, brilhando, activa e revigora
A vida adormecida nas sementes.

José Carvalho
Ouaninou, 22 AGO 95

domingo, 1 de fevereiro de 2015

GENTES DA SAVANA


Na terra quente, desfazendo-se em poeira

E mal sustendo as raízes ressequidas,
Vão suportando as tormentas repetidas
E resistindo à fornalha soalheira.

Como será que perduram estas vidas?
Por que ideal lutam? Que bandeira
Os arrasta à dura prova derradeira
Sem que as razões vitais sejam ouvidas?

Nem o vento quente do deserto
Nem as feras, enormes, que ali perto
Esperam um passo em falso, em demasia...

Nada os mudará do seu intento
Porque a razão que os move e dá alento
É, pura e simplesmente, ...a TEIMOSIA!

Odienné, FEV 95

José Carvalho