domingo, 26 de maio de 2019
BANHO DE MAR
Começam por entrar as pernas
nuas hesitantes
e fincam-se como Rodes sobre o Egeu
a cintura depois
de inundados os calções
por fim o próprio umbigo
cordão que sempre nos ligou à vida
os braços nus abraçam
o que do sal começa a fervilhar na onda
como um feixe de dedos nossas mãos
vão abrindo sulcos na imaginação
até ao horizonte.
© João Tomaz Parreira
domingo, 19 de maio de 2019
O MEU PAÍS
Ao que eu vi este País chegar
Ver políticos sem trabalhar
Nos corredores a passear
Para grandes reformas ganhar
Eles ao povo vão tirar
O circo em S. Bento vai continuar
Pais e filhos a alternar
O Zé calado sem protestar
Eles fortunas a acumular
Com a corrupção a aumentar
Eles só votos querem ganhar
Para o povo continuar a enganar
Até quando o meu País vai aguentar
Ver políticos sem trabalhar
Nos corredores a passear
Para grandes reformas ganhar
Eles ao povo vão tirar
O circo em S. Bento vai continuar
Pais e filhos a alternar
O Zé calado sem protestar
Eles fortunas a acumular
Com a corrupção a aumentar
Eles só votos querem ganhar
Para o povo continuar a enganar
Até quando o meu País vai aguentar
O Kapeta M.P.
domingo, 12 de maio de 2019
IRONIA...OU REALIDADE
Em imaginação percorri a história
Do homem a fazer-se no tempo e no espaço:
Idades de progresso e fases de cansaço
Num complexo diagrama de miséria e glória.
Do homem a fazer-se no tempo e no espaço:
Idades de progresso e fases de cansaço
Num complexo diagrama de miséria e glória.
Por vezes, multidões em fúria ilusória
Onde cada indivíduo esquece o próprio traço
E sua vera pessoa se transforma em palhaço
E a sua dignidade em inconsciente escória;
Onde cada indivíduo esquece o próprio traço
E sua vera pessoa se transforma em palhaço
E a sua dignidade em inconsciente escória;
Levado nas impulsões de instintos latentes
Arrastando em paixões heróicas ou dementes
Torna-se um bonifrate de ardor e violência.
Arrastando em paixões heróicas ou dementes
Torna-se um bonifrate de ardor e violência.
E surgem os abutres da heroicidade
Que arrastam após si multidões sem vontade
Para a guerra, a miséria, o ódio, a truculência.
Que arrastam após si multidões sem vontade
Para a guerra, a miséria, o ódio, a truculência.
JC
domingo, 5 de maio de 2019
A CATIVA
E os vendedores trouxeram uma mulher
apanhada na condição de ser mulher;
E, pondo-a no meio da praça, disseram:
Está à venda, manda a lei
do mais forte que a tal, como está
seja vendida, cubram por 800 moedas
a viagem e os despojos.
O seu nome é Rosa, e como a rosa
cobre o seu corpo com a nudez das pétalas.
apanhada na condição de ser mulher;
E, pondo-a no meio da praça, disseram:
Está à venda, manda a lei
do mais forte que a tal, como está
seja vendida, cubram por 800 moedas
a viagem e os despojos.
O seu nome é Rosa, e como a rosa
cobre o seu corpo com a nudez das pétalas.
09-09-2016
© João Tomaz Parreira
© João Tomaz Parreira
"Una Esclava en Venta" (c.1897) - óleo de José Jiménez Aranda (Sevilha, 1837 - 1903). A inscrição diz: “Rosa, 18 anos, venda por 800 moedas”
domingo, 28 de abril de 2019
TALVEZ UM DIA...
talvez um dia
te procure na imensidão
profunda
te procure na imensidão
profunda
porque vens de sob as águas
pelo caminho imprescindível
abraçar a alegria
partilho a ferramenta
para dobrarmos o ferro
e toda a matéria de escultura
que arrefece nas mãos
pelo caminho imprescindível
abraçar a alegria
partilho a ferramenta
para dobrarmos o ferro
e toda a matéria de escultura
que arrefece nas mãos
a obra, a matriz do sorriso
imaginário
esquece o cinzel
que sossega nos lábios
imaginário
esquece o cinzel
que sossega nos lábios
pequena eternidade
que vai passando pelo pó
levada pela asa da ave.
que vai passando pelo pó
levada pela asa da ave.
Jose Felix in Manual de escultura, Temas Originais, 2015
domingo, 21 de abril de 2019
ALELUIA SEM LUZ
gotas de sal doce no olhar
esfumada alegria
amálgama de enganos
onde flores e cardos emanam
na dor da alma que esfria
jc
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PÁSCOA...ou lembranças de criança!
Alecrim florido, lilás, rosas e então ,
Perfumes inesquecíveis da infância
Aos mil e aos mil
A mais pura e bela
Recordação de Páscoa Abril
Infinita recordação!
Perfumes inesquecíveis da infância
Aos mil e aos mil
A mais pura e bela
Recordação de Páscoa Abril
Infinita recordação!
E pela noitinha?
Ao lusco-fusco desse dia inolvidável , inesquecível
Juntavam-se as cruzes e a gente
Numa indizível
Romaria, para a igreja, noite posta,
Benção final, ovos pintados,
Semana fora, Páscoa fremente,
Dos desgraçados,
Brasas acesas, sol à compita,
Tudo aquilo era a melhor resposta
Para dar ao Senhor...
Gentes que aclamaram
A Santa e Infinita Trindade!
Ao lusco-fusco desse dia inolvidável , inesquecível
Juntavam-se as cruzes e a gente
Numa indizível
Romaria, para a igreja, noite posta,
Benção final, ovos pintados,
Semana fora, Páscoa fremente,
Dos desgraçados,
Brasas acesas, sol à compita,
Tudo aquilo era a melhor resposta
Para dar ao Senhor...
Gentes que aclamaram
A Santa e Infinita Trindade!
Ide! Aleluia! Os caminhos são largos e o amor infindo!
-Larga, também muito larga..
a saudade!
-Larga, também muito larga..
a saudade!
jc
domingo, 14 de abril de 2019
ONDE RAIO TE METESTE ?
Procurei...
E não te vi,
Parei escutando
Mas não te ouvi.
Uma vez mais procurei
Pensando que te perdeste
Por ti chamei
Não me respondeste.
Voltaste de repente...
Onde te meteste?
Eu já me sentia contente,
Porque raio apeteceste?
Floriano Silva
domingo, 7 de abril de 2019
OS DEGRAUS DA VIDA
Com as pernas a fraquejar
Ao cimo queremos chegar
Com o cansaço a aumentar
O alto queremos alcançar
Ao cimo queremos chegar
Com o cansaço a aumentar
O alto queremos alcançar
Com ela a espreitar
Vamos subindo devagar
Um a Um sem vacilar
Vamos deixa-la esperar
Vamos subindo devagar
Um a Um sem vacilar
Vamos deixa-la esperar
Subimos sempre sem olhar
Não vá um pé escorregar
Pois ela está sempre a espreitar
Subindo vamos continuar
Não vá um pé escorregar
Pois ela está sempre a espreitar
Subindo vamos continuar
Esse dia irá chegar
Não as vamos comandar
Do cimo vamos olhar
É ai que a vamos encarar
Não as vamos comandar
Do cimo vamos olhar
É ai que a vamos encarar
O Kapeta M.P.
domingo, 31 de março de 2019
PORQUE É DOMINGO: Divirtam-se
Estamos mais ligados ao invisível, do que àquilo que vemos
(F. von Ardenberg)
cada beijo
é um pingo de amor
é pétala que se funde
sem credos
no perfume de uma flor
Jc
domingo, 24 de março de 2019
A MELANCOLIA DO PRÓDIGO
Tão longe a casa, cada dia é uma eternidade
Que não se completa
É preciso chegar a casa, como posso
Ter-me afastado tanto, as vides que vestiram
Os campos estão secas, quero de novo
As flores de macieira alegres
A espreitarem entre rostos de crianças
Tenho de chegar a casa, deixei tanto amor
E perda, a canção do mundo é vã
E cansou os meus ouvidos.
23-11-2016
© João Tomaz Parreira
domingo, 17 de março de 2019
O ECO DOS BÚZIOS
Com os três búzios na mão
as escarpas da memória
são os fusos que enovelam
as infâncias da história;
as escarpas da memória
são os fusos que enovelam
as infâncias da história;
passos íntimos, meninos,
vão ficando na aba lúdica
do novelo que se tece
na partitura da música.
vão ficando na aba lúdica
do novelo que se tece
na partitura da música.
Os três búzios, as três moiras
Láquesis, Átropos, Cloto
vão adornando a tessitura
da viagem do piloto
Láquesis, Átropos, Cloto
vão adornando a tessitura
da viagem do piloto
com o navio adernado
na falésia de uma ilha;
a corrente, nas fiandeiras,
vai fugindo sob a quilha
na falésia de uma ilha;
a corrente, nas fiandeiras,
vai fugindo sob a quilha
José Félix
domingo, 10 de março de 2019
A NOITE
Vagueamos pelas ruas
Iluminados pelas vielas
Vamos descendo as calçadas
Com as sombras acompanhadas
Iluminados pelas vielas
Vamos descendo as calçadas
Com as sombras acompanhadas
Os trilhos são já conhecidos
As pedras muito desgastadas
Mesmas músicas tocadas
Vamos vagueando pelas ruas
As pedras muito desgastadas
Mesmas músicas tocadas
Vamos vagueando pelas ruas
Cantamos canções e desilusões
Tristezas amores e frustrações
Vidas perfeitas e desfeitas
Rejeições e traições
Tristezas amores e frustrações
Vidas perfeitas e desfeitas
Rejeições e traições
Com o frio a arrefecer
Nossos corpos a tremer
Vai mais um copo para aquecer
Um novo dia começa a nascer
Nossos corpos a tremer
Vai mais um copo para aquecer
Um novo dia começa a nascer
Vamos vagueando pela noite
O Kapeta M.P.
domingo, 17 de fevereiro de 2019
VOAR
VOAR-ou meditação de liberdade
(Aos cretinos do lápis azul)
Passam aves em bando p’los ínvios espaços
Sem estrada ou caminho a indicar a meta
E na amplidão dos céus não se vê uma seta
E nem sequer de noite há luminosos traços.
E lá seguem voando em dias de sol ou baços
Com asas bem mais fortes que as do preso de Creta,
Herói lendário que ainda hoje me afecta
Quando tentou ser livre mas com meios escassos.
E para onde irão esses bandos de aves
Em voo tão seguro com asas suaves
Conversando entre si com instintivos pios?...
Como eu gostaria de as acompanhar
Olhando a imensidão e a fundura do mar
Que bebe com prazer a pura água dos rios!...
Júlio Corredeira
domingo, 10 de fevereiro de 2019
IRREGULAR ODE AO ÓDIO
Houve estranhos frutos nos ramos
A balançar
Na brisa do Mississippi
Houve sangue nos olhos e sangue nas raízes
Mais fundas da alma
Cenas de cordeiros mansos guiados por lobos
Nas brisas do Sul, cenas pouco galantes
Fora de tempo, inspiradas de longe
Por um Führer louro
Faltará pouco para os alfaiates
Costurarem uma farda preta.
A balançar
Na brisa do Mississippi
Houve sangue nos olhos e sangue nas raízes
Mais fundas da alma
Cenas de cordeiros mansos guiados por lobos
Nas brisas do Sul, cenas pouco galantes
Fora de tempo, inspiradas de longe
Por um Führer louro
Faltará pouco para os alfaiates
Costurarem uma farda preta.
15/08/2017
© João Tomaz Parreira
© João Tomaz Parreira
domingo, 3 de fevereiro de 2019
POEMA DA NOITE
a luz. a noite. a palavra pedra
na iluminação escura do caminho.
prende-se a voz nas fragas transmontanas,
na sombra dos duendes e na sombra
das outras sombras que caminham sós
em nocturnais conversas, fantasias
de outras realidades consentidas.
destinos são caminhos programados
na luz escura dos desejos que
sombreiam águas, também margens secas
que suportando o leito da viagem
cansam chegadas numa sede calma.
as pedras no caminho são sinais
das luzes mais intensas da jornada.
na iluminação escura do caminho.
prende-se a voz nas fragas transmontanas,
na sombra dos duendes e na sombra
das outras sombras que caminham sós
em nocturnais conversas, fantasias
de outras realidades consentidas.
destinos são caminhos programados
na luz escura dos desejos que
sombreiam águas, também margens secas
que suportando o leito da viagem
cansam chegadas numa sede calma.
as pedras no caminho são sinais
das luzes mais intensas da jornada.
josé félix
domingo, 27 de janeiro de 2019
SOLDADO VELHO CHEGOU!
Ontem soldado velho chegou!
Lobitanga esteve só nos tabanca!
Lobitanga ter frio e um pouco de medo!
Soldado disse Lobitanga ter ido cumprir missão.
Lobitanga não saber!
Soldado não fala Lobitanga missões secretas!
Mandou Lobitanga acender os lumes!
Foi nos carro buscar pastéis de Belém!
Lobitanga não conhecia os pastel!
Soldado velho fez os chá de tília para Lobitanga!
Fez aquela bebida uísque???? Para ele!
Bué de conversa bonita mesmo nos lume!
Lobitanga pediu mais um pastel!
Soldado disse que podia comer todos!
Soldado ser muito generosa pra Lobitanga!
Soldado foi nos computador!
Escreveu sobre um tuga importante!
Lobitanga acha ser Senhor Centeno!
Soldado leu pra Lobitanga!
Lobitanga ter gostado e também já gosta Senhor Centeno!
Mais tarde ficou bué de chateado!
Benfica de soldado perdeu nos Portimão.
Soldado diz culpa não ser de águia Vitória,
Ser de Rui Vitória.
Soldado velho zangado mesmo!
Lobitanga deseja seus leitores ano bom!
Soldado velho deseja seus amigos bom ano também!
«LOBITANGA BALDÉ»
Luis Faria Costa
sábado, 19 de janeiro de 2019
NOVO ANO NOVO CICLO
Calmamente vamos aguardando
O tempo vai avançando
As marés vão mudando
Com a vida continuando
E nós cá vamos esperando
Uma noite descansando
E um novo dia enfrentando
Nada nos foi ensinado
Rotinas vão rolando
Nossos corpos envelhecendo
E nós assim vamos vivendo
Uns dias rindo outros sofrendo
Alguns amigos vamos fazendo
Outros também iremos perdendo
O ciclo da vida vai continuando
E nós cá vamos esperando
O tempo vai avançando
As marés vão mudando
Com a vida continuando
E nós cá vamos esperando
Uma noite descansando
E um novo dia enfrentando
Nada nos foi ensinado
Rotinas vão rolando
Nossos corpos envelhecendo
E nós assim vamos vivendo
Uns dias rindo outros sofrendo
Alguns amigos vamos fazendo
Outros também iremos perdendo
O ciclo da vida vai continuando
E nós cá vamos esperando
O Kapeta M.P. "Bica"
domingo, 13 de janeiro de 2019
MULHER (ou lembranças da minha terra)
São invernos frios, sem parente ou amigo
São giestas por companhia...
No escano velho, calor do seu abrigo.
São giestas por companhia...
No escano velho, calor do seu abrigo.
É o peso de uma vida
O resto de um viver
É uma lágrima caída
No olhar do seu sofrer
O resto de um viver
É uma lágrima caída
No olhar do seu sofrer
Votada a tetro e frio esquecimento
E sem qualquer auxílio para o seu mal...
Vai morrendo abraçada ao sofrimento.
E sem qualquer auxílio para o seu mal...
Vai morrendo abraçada ao sofrimento.
JC
(foto-@Carlos Mendes)
domingo, 6 de janeiro de 2019
A PONTE DOS LAÇOS
A Ponte das Artes de Paris transfe-
Riu-se para o Canal Central de Aveiro.
À Ponte, a autêntica, a des Arts começaram
A chegar os cadeados já no século vinte e um
Quer dizer que não teve hipótese nenhuma
Apollinaire de o saber quando disse que o Sena
E seu amor passavam sob as pontes. Ele disse
A Mirabeau. As águas do Canal Central de
Aveiro passam sem amores, despercebidas
Sob uma pequena ponte que imita
A des Arts de Paris. As águas passam silen-
Ciosas, de pequenas vagas quando um
Moliceiro desempregado apenas com turistas
Passa agora. Os cadeados começam a prender
Pequenas fitas coloridas, com frases terríveis
A dizer Amo-te. L’amour c’est une imitacion.
03/08/2017
© João Tomaz Parreira
domingo, 30 de dezembro de 2018
A LÍNGUA
há quem adopte países e cidades
há quem afilhe a língua e a linguagem
há quem sublinhe a forma de sentir
e até subscreva o pensamento estranho
há quem afilhe a língua e a linguagem
há quem sublinhe a forma de sentir
e até subscreva o pensamento estranho
na emigração, no exílio da palavra.
mas a substância da raiz perdida
esgota a seiva salva no lio de água;
memória, pronúncia da larva ovo.
mas a substância da raiz perdida
esgota a seiva salva no lio de água;
memória, pronúncia da larva ovo.
cravado, prometeu lamina a língua
que corta os elos lisos de lidar
onde o poder dos deuses corta a fala.
que corta os elos lisos de lidar
onde o poder dos deuses corta a fala.
o sémen da palavra reaprendida
não poliniza a língua de outra fonte
e de que águas feita escorre límpida
não poliniza a língua de outra fonte
e de que águas feita escorre límpida
em qualquer leito largo de sinais.
José Felix
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
«NATAL NOS TABANCA»
Soldado velho quis fazer jantar dos Natal nos seus tabanca!
Lobitanga ter estado com os paludismos, mas já está bué de bem!
Lobitanga conheceu mininos soldado velho!
Lobitanga teres ficado no encantamento com minina mais velha!
Cláudia seres professora e chamou Lobitanga para tratar dos mesa!
Lobitanga bué de contente!
Soldado velho já tinha ensinado Lobitanga coisas dos mesa!
Cláudia foi mais no ensinamento!
Professora Cláudia ensinou Lobitanga e tudo bué de bonito!
Cláudia chamou Lobitanga nos mesa!
Lobitanga ficou mesmo pegada nela!
Lobitanga maning contente!
Soldado velho ter também minino Luís!
Um cota bem bonito!
Muito simpático com Lobitanga! Pegava toiros e agora pega aviões!
Soldado velho ensinou nele coisas dos aviões!
Apareceu depois uns minina bué de gira (Joana),
Canta bem os fado!
Cantou amor de mel amor de fel, Lobitanga ter ficado passada.
Lobitanga vive em mundo novo!
Lobitanga volta para o ano!
Não roubem soldado velho a Lobitanga!
«LOBITANGA BALDÉ»
Luis Faria Costa
domingo, 23 de dezembro de 2018
MENINO...
Natal, é nascimento, humildade, é amor e paz. Deixemos que a palavra abra consciências de temor e se expanda na luz virtuosa dos homens!
jc
-//-
jc
-//-
MENINO...
Eu não sei se tu poderás entender
O que é ser
Um homem de bem!
-Aí tens um Pai Natal!-raramente o consegue.
Porquê!- Ele terá mais de servir do que servir-se;
E dos outros terá mais de ser
Do que de si; de todos e de ninguém.
Ele tem de ser a humildade; pois que a não negue!
Um pai natal terá de ser um homem de bem
Porque terá de ajudar a construir a paz.
Porque o amor e a paz têm uma e só a mesma fonte de luz.
Mentir a ninguém apraz:
Nem à luz nem aos homens;
Tem de ser um homem a valer!
Ou teremos um qualquer improvisado vendedor de sonhos,
Que por bem ou mal nascido tem de torcer
A verdade ou endeusar a mentira,
Apenas na mira
De querer parecer
Para ganhar
Eu não sei se tu poderás entender
O que é ser
Um homem de bem!
-Aí tens um Pai Natal!-raramente o consegue.
Porquê!- Ele terá mais de servir do que servir-se;
E dos outros terá mais de ser
Do que de si; de todos e de ninguém.
Ele tem de ser a humildade; pois que a não negue!
Um pai natal terá de ser um homem de bem
Porque terá de ajudar a construir a paz.
Porque o amor e a paz têm uma e só a mesma fonte de luz.
Mentir a ninguém apraz:
Nem à luz nem aos homens;
Tem de ser um homem a valer!
Ou teremos um qualquer improvisado vendedor de sonhos,
Que por bem ou mal nascido tem de torcer
A verdade ou endeusar a mentira,
Apenas na mira
De querer parecer
Para ganhar
Júlio Corredeira
BOM NATAL
domingo, 16 de dezembro de 2018
LOBITANGA FELIZ !
Lobitanga feliz!
Lobitanga não sabia onde soldado velho vai Domingo!
Lobitanga bué de preocupada e com medo!
Soldado velho leu um post ou poster(como se diz?),
Que lobitanga escreveu!
Soldado velho muito amigo, não quer Lobitanga com os preocupação!
Hoje soldado velho disse Lobitanga:
Lobitanga! Soldado velho tem «bicos de papagaio»!
Soldado velho vai domingo nos termas para ficar novo!
Lobitanga ficou descansada mesmo!
Lobitanga já pensava outros coisas!
Soldado velho vai regressar muito bem!
Lobitanga gosto mesmo soldado velho!
Lobitanga vai guardar bem os tabanca!
Lobitanga vai esperar soldado velho nos porta do tabanca!
Se soldado velho deixar Lobitanga dá beijo nele!
Lobitanga bué de preocupada e com medo!
Soldado velho leu um post ou poster(como se diz?),
Que lobitanga escreveu!
Soldado velho muito amigo, não quer Lobitanga com os preocupação!
Hoje soldado velho disse Lobitanga:
Lobitanga! Soldado velho tem «bicos de papagaio»!
Soldado velho vai domingo nos termas para ficar novo!
Lobitanga ficou descansada mesmo!
Lobitanga já pensava outros coisas!
Soldado velho vai regressar muito bem!
Lobitanga gosto mesmo soldado velho!
Lobitanga vai guardar bem os tabanca!
Lobitanga vai esperar soldado velho nos porta do tabanca!
Se soldado velho deixar Lobitanga dá beijo nele!
«LOBITANGA BALDÉ»
Luis Faria Costa
domingo, 9 de dezembro de 2018
UM MATAR DE SAUDADES.
Como os anos vão passando
Nossos encontros continuando
As amizades perdurando
Nós as vamos alimentando
Almoços e convívios organizamos
As saudades vamos matando
Com conversas recordamos
Todos os já partiram lembrando
Algumas tristezas lá tivemos
Alguns companheiros perdemos
Nos encontros seus nomes falados
E com todo o respeito tratados
Todos nós lá andámos
Brincamos rimos e cantamos
Muita mata sobrevoámos
Histórias de caça contámos
Mário Pires "Bica"
AB4 SEMPRE.
domingo, 2 de dezembro de 2018
AMIZADE
Sem vós eu não seria nada.
(Aos amigos que em 25/11/1975 estiveram comigo)
-//-
Desde a mais remota, escura antiguidade
Tem sido em prosa e verso sublimada ,
Em símbolos eternos celebrada,
Essa forma de amor-pura amizade.
(Aos amigos que em 25/11/1975 estiveram comigo)
-//-
Desde a mais remota, escura antiguidade
Tem sido em prosa e verso sublimada ,
Em símbolos eternos celebrada,
Essa forma de amor-pura amizade.
É princípio excelente de igualdade,
Um sempre lado-a-lado na jornada,
De cada dia a límpida alvorada,
Em presença real ou em saudade .
Um sempre lado-a-lado na jornada,
De cada dia a límpida alvorada,
Em presença real ou em saudade .
Comunhão tão profunda, augusta e forte,
Que sobrepassa tempo, fado e sorte
Um reflexo, talvez, da divindade .
Que sobrepassa tempo, fado e sorte
Um reflexo, talvez, da divindade .
Mais que o sangue, ela expressa a linguagem
Que supera a voz forte da linhagem,
Na escolha, em perfeita liberdade.
Que supera a voz forte da linhagem,
Na escolha, em perfeita liberdade.
Jc
domingo, 25 de novembro de 2018
POEMA DO DIA DE HOJE
Nos teus derradeiros anos, sentávamo-nos
No café e antes que as palavras arrefecessem
Bebíamo-las de um sorvo, com alguns verbos
Psicológicos à mistura ( como dizia Wittgenstein)
Como crêr, pensar, imaginar
Como tudo seria se não houvesse a morte
Depois ficávamos com o silêncio quebrado
Por quem entrava e saía, como quem atravessava
Um relógio parado em ponto da tarde.
No café e antes que as palavras arrefecessem
Bebíamo-las de um sorvo, com alguns verbos
Psicológicos à mistura ( como dizia Wittgenstein)
Como crêr, pensar, imaginar
Como tudo seria se não houvesse a morte
Depois ficávamos com o silêncio quebrado
Por quem entrava e saía, como quem atravessava
Um relógio parado em ponto da tarde.
19/03/2018
© João Tomaz Parreira
© João Tomaz Parreira
domingo, 18 de novembro de 2018
BENDITO É O FRUTO
bendito é o fruto. sobrevém
na transparência da semente viva
a língua da radícula que emerge
da escrita na contemplação cativa
da árvore em crescimento.
na transparência da semente viva
a língua da radícula que emerge
da escrita na contemplação cativa
da árvore em crescimento.
a fala, a seiva que sulca, rodeia
com a saliva limpa e dos lábios
em construção se justifica a voz.
com a saliva limpa e dos lábios
em construção se justifica a voz.
simples, as folhas vão e vêm com o olhar.
josé félix
domingo, 11 de novembro de 2018
LOBITANGA E SEUS TERRA!
Soldado velho falar muito,
Sobre os terra de Lobitanga!
País de Lobitanga ser muitos grande!
Soldado disse ir de Miconge a Luiana!
Lobitanga não sabia!
Meu país teres vivido muitos guerra!
País Lobitanga ter uns novo guerra!
Soldado velho disse ser guerra dos corrupção!
Gente grande fica com dinheiro do povo!
Gente grande fica com os riqueza mesmo!
Agora Senhor João Lourenço,
Novo gente grande dos meus terra,
Tenta melhorar vida de povo!
Estão já nos prisão gente bué importante!
Lobitanga bem contente se senhor Lourenço,
Acabar com os corrupção!
Lobitanga vai tar bué de atenta!
Lobitanga vai pedir ajuda soldado velho!
Lobitanga nem quer acreditar!
Senhor António Costa,
Gente grande dos puto,
Foi nos Angola mesmo!
Lobitanga ouviu senhor Lourenço vir aqui nos terras de tuga!
Se senhor Lourenço vier,
Lobitanga pede a soldado para ir nos Lisboa,
Ver senhor Lourenço!
Lobitanga acredita!
Povo de Lobitanga merece!
Os povo dos tugas e os povos de Lobitanga merecem!
Não roubem soldado a Lobitanga!
Sobre os terra de Lobitanga!
País de Lobitanga ser muitos grande!
Soldado disse ir de Miconge a Luiana!
Lobitanga não sabia!
Meu país teres vivido muitos guerra!
País Lobitanga ter uns novo guerra!
Soldado velho disse ser guerra dos corrupção!
Gente grande fica com dinheiro do povo!
Gente grande fica com os riqueza mesmo!
Agora Senhor João Lourenço,
Novo gente grande dos meus terra,
Tenta melhorar vida de povo!
Estão já nos prisão gente bué importante!
Lobitanga bem contente se senhor Lourenço,
Acabar com os corrupção!
Lobitanga vai tar bué de atenta!
Lobitanga vai pedir ajuda soldado velho!
Lobitanga nem quer acreditar!
Senhor António Costa,
Gente grande dos puto,
Foi nos Angola mesmo!
Lobitanga ouviu senhor Lourenço vir aqui nos terras de tuga!
Se senhor Lourenço vier,
Lobitanga pede a soldado para ir nos Lisboa,
Ver senhor Lourenço!
Lobitanga acredita!
Povo de Lobitanga merece!
Os povo dos tugas e os povos de Lobitanga merecem!
Não roubem soldado a Lobitanga!
«LOBITANGA BALDÉ»
Luis Faria Costa
domingo, 4 de novembro de 2018
REGABOFE
Pensei e repensei
Regabofe ai vai
Regabofe ai vai
Autentico regabofe politico
Montes de deputados
Com um100 número de acesserores
Motoristas seguranças e carros
Montes de deputados
Com um100 número de acesserores
Motoristas seguranças e carros
Montes de presidentes de Camara
Mais carros e acesserores
Presidentes de junta incultos
E eles são tantos
Mais carros e acesserores
Presidentes de junta incultos
E eles são tantos
Os táchos não têm fim
São poucos a trabalhar
Mas muitos a mamar
Onde isto irá parar
São poucos a trabalhar
Mas muitos a mamar
Onde isto irá parar
Tenham muito cuidado
Ainda existem portugueses
Que sabem cantar o fado
E tocar as guitarras
Ainda existem portugueses
Que sabem cantar o fado
E tocar as guitarras
Conjuntos criamos e Africa
Amizades lá fluresceram
Todos guitarras lá tocámos
Baláda que não esqueceram
Amizades lá fluresceram
Todos guitarras lá tocámos
Baláda que não esqueceram
Cuidado com os cotas
Eles não estão a gostar
Do rumo que isto está a levar
Isto um dia vai parar
Eles não estão a gostar
Do rumo que isto está a levar
Isto um dia vai parar
É tudo a mamar
Poucos a trabalhar
Nos corredores a passear
E o povo a aguentar
Poucos a trabalhar
Nos corredores a passear
E o povo a aguentar
O Kapeta M.P.
domingo, 28 de outubro de 2018
PORQUE SOU POBRE, SENHOR ?
São meus os dias de tédio.
As noites infindáveis, pertencem-me!
E quase me vencem,
Quando as não venço.
São meus os pecados todos,
É minha toda a beleza.
É só minha esta incerteza
De estar certo e errado.
Fui eu que inventei o fado,
Soltando ais e lamentos.
Nasceu de mim o amor...
Se tudo é meu, mesmo os céus.
Se é minha a graça de Deus,
Porque sou pobre, Senhor ?
Floriano H. Silva
HC, 22/4/1968
domingo, 21 de outubro de 2018
OLÁ OUTONO !
Acordei muito cedo ao romper da alvorada
E entrava de clarear mais um dia de Outono
E após eu ter passado uma noite sem sono
Só passando por ele já de madrugada
E entrava de clarear mais um dia de Outono
E após eu ter passado uma noite sem sono
Só passando por ele já de madrugada
Bem desperto escutava atento a passarada
E o ladrar dum rafeiro que seguia o dono
E nos perigos deste o mais fiel patrono,
E as árvores despiam folha amarelada.
E o ladrar dum rafeiro que seguia o dono
E nos perigos deste o mais fiel patrono,
E as árvores despiam folha amarelada.
O sol rasgava a névoa do fosco agreste
Travando até mim algo desse Nordeste
Onde passei a minha inteira mocidade;
Travando até mim algo desse Nordeste
Onde passei a minha inteira mocidade;
E na minha outrora viva fantasia ,
Do mundo que eu vivera e há muito não via,
Acordava a tristeza envolta em saudade...
Do mundo que eu vivera e há muito não via,
Acordava a tristeza envolta em saudade...
Julio Corredeira
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
RESPOSTA QUE O POETA ENCONTROU ÀS SUAS QUESTÕES
Quando eu estiver mais cansado e a doença
Me der a tristeza das coisas belas, quando tiver
Apenas palavras para enxugar
Nos meus olhos as lágrimas, lerei
Os meus Salmos favoritos e os montes
Serão lagos de água clara no azul
Todas as montanhas são para subir
Lerei o trecho favorito
Da oração sacerdotal de Jesus Cristo
Onde deixou uma ponte entre nós e o Pai
E sentirei nos glóbulos doentes o valor
Da Graça bastante do meu Deus.
Me der a tristeza das coisas belas, quando tiver
Apenas palavras para enxugar
Nos meus olhos as lágrimas, lerei
Os meus Salmos favoritos e os montes
Serão lagos de água clara no azul
Todas as montanhas são para subir
Lerei o trecho favorito
Da oração sacerdotal de Jesus Cristo
Onde deixou uma ponte entre nós e o Pai
E sentirei nos glóbulos doentes o valor
Da Graça bastante do meu Deus.
02/10/2018
© João Tomaz Parreira
© João Tomaz Parreira
domingo, 14 de outubro de 2018
NAS ARESTAS DOS FRUTOS
nas arestas dos frutos se percebe
a condição da árvore
a condição da árvore
a radícula que atravessa a língua
semeia o sabor da castidade
na avidez das papilas como anteras
no suporte da criação
semeia o sabor da castidade
na avidez das papilas como anteras
no suporte da criação
na explosão da água
a flor abre-se ao pólen
com a memória a engravidar a infância.
a flor abre-se ao pólen
com a memória a engravidar a infância.
josé félix in fácil é o movimento da folhas
domingo, 7 de outubro de 2018
OI! FALA LOBITANGA!
Lobitanga triste, Lobitanga contente!
Lobitanga triste porque soldado velho, amanhã não está nos tabanca!
Lobitanga vai aproveitar para arrumar papéis soldado velho!
Soldado velho escreve bué e esquece papéis!
Lobitanga vai por tabanca muito bonita!
Lobitanga vai usar regador e varrer chão sem fazer pó!
Quando soldado velho regressar tabanca bonita!
Lobitanga contente porque soldado vai tratar «bicos de papagaio»!
Às vezes soldado dizia Lobitanga ter muitas dores!
Lobitanga acredita que termas vão fazer bem aos «papagaios»!
Lobitanga vai ficar muito contente!
Lobitanga quando soldado velho for seu cama vai publicar sem soldado saber!
Há muitos pessoa ligar telemóvel Lobitanga pedindo para Lobitanga publicar!
Lobitanga gosta do vida nova!
Lobitanga triste porque soldado velho, amanhã não está nos tabanca!
Lobitanga vai aproveitar para arrumar papéis soldado velho!
Soldado velho escreve bué e esquece papéis!
Lobitanga vai por tabanca muito bonita!
Lobitanga vai usar regador e varrer chão sem fazer pó!
Quando soldado velho regressar tabanca bonita!
Lobitanga contente porque soldado vai tratar «bicos de papagaio»!
Às vezes soldado dizia Lobitanga ter muitas dores!
Lobitanga acredita que termas vão fazer bem aos «papagaios»!
Lobitanga vai ficar muito contente!
Lobitanga quando soldado velho for seu cama vai publicar sem soldado saber!
Há muitos pessoa ligar telemóvel Lobitanga pedindo para Lobitanga publicar!
Lobitanga gosta do vida nova!
«LOBITANGA BALDÉ»
Luis Faria Costa
domingo, 30 de setembro de 2018
DEDICO AO MAR
Que do seu barco caiu
O rio te engulio
O teu corpo sumio
Nunca mais ninguem te viu
O rio te engulio
O teu corpo sumio
Nunca mais ninguem te viu
Foste levado para o mar
Eu sempre te senti perto mim
Algo que não sei explicar
Tantas noites estás junto de mim
Eu sempre te senti perto mim
Algo que não sei explicar
Tantas noites estás junto de mim
Como tenho esse sentimento
Pouco a pouco trasmitido
Deve fazer parte de algo
O qual eu não acredito
Pouco a pouco trasmitido
Deve fazer parte de algo
O qual eu não acredito
Á noite prescuto o mar
Oiço um cantar
Custa-me a acreditar
Sérá que alguém quer falar
Oiço um cantar
Custa-me a acreditar
Sérá que alguém quer falar
No verão ou no Inverno
Sinto o teu chamar
Olho para o mar
Até que me mandas deitar
Sinto o teu chamar
Olho para o mar
Até que me mandas deitar
Adoravas o mar como eu
Un dia nos vamos encontrar
Abraços e cantigas
Vamos os dois ensaiar
Un dia nos vamos encontrar
Abraços e cantigas
Vamos os dois ensaiar
Deste-me o amor pelo mar
Eu nunca te agradeci
Temos tempo para partilhar
Eu prometo que vou lá estar
Eu nunca te agradeci
Temos tempo para partilhar
Eu prometo que vou lá estar
Vais continuar a cantar
Eu ouvindo canções de embalar
Meus olhos sempre postos no mar
Pois muito perto de ti estou a morar
Eu ouvindo canções de embalar
Meus olhos sempre postos no mar
Pois muito perto de ti estou a morar
O Satanás
M.P."Bica"
M.P."Bica"
domingo, 23 de setembro de 2018
AOS AMIGOS
Poeta? Não sou! Pois tudo quanto escrevo em verso
Esvai-se como fumo em sombra de lonjura
Ou como fogo-fátuo em noite espessa, escura,
E sinto-me em vazio tristemente imerso!
É certo que por todo o vasto Universo
Me lanço com ardor e sempre na procura
De harmonia, de luz, de beleza e de candura,
Que possa traduzir em poema lindo e terso.
Mas ao reler o que traduzo em poesia,
Vejo nesse intenso desejo que me guia,
Uma pálida imagem dum sonho de infância.
Porém... relendo, uma vez mais, o que escrevi,
Talvez eu seja um poeta em musa que sorri
Ao meu gosto secreto duma inata ânsia.
J. Corredeira
domingo, 16 de setembro de 2018
O MEU PEDIDO
---Quando eu morrer!
Quero que ninguém chore por mim,
Que me dêm sepultura...
Pobrezinha, como os demais,
Um monte de terra escura
Bem juntinho ao de meus pais!
Onde eu possa finalmente,
Voltar como toda a gente,
Ao triste pó de onde vim!...
É só isto que espero,
Quero um caixão pobrezinho!
Onde não ponham flores,
Pois eu, corpo triste,
Chaga sem dores,
Comecei a viver
Na saudade dos que vivem.
E se eu lá longe morrer,
Não me deixem lá ficar,
Não se esqueçam que pedi;
Eu só quero repousar,
---Na terra onde nasci!...
Floriano H. Silva
HC,
domingo, 9 de setembro de 2018
A IDADE DO ESCURO
Como uma criança que pára no ângulo de um quarto escuro
Antes de entrar avalia os ruídos intocáveis, os silêncios
Que podem estar no fundo dos móveis, conhece com a luz
O que as gavetas guardam, mas no escuro outros receios
Vêm à flor da pele, Como uma criança que está perante
Os doces escondidos no armário e aguarda
Porque as mãos recusam, o que a ideia de pecado faz sentir
Deus atrás das latas, Como uma criança que ouve a sua
Estranha respiração enquanto espera.
Antes de entrar avalia os ruídos intocáveis, os silêncios
Que podem estar no fundo dos móveis, conhece com a luz
O que as gavetas guardam, mas no escuro outros receios
Vêm à flor da pele, Como uma criança que está perante
Os doces escondidos no armário e aguarda
Porque as mãos recusam, o que a ideia de pecado faz sentir
Deus atrás das latas, Como uma criança que ouve a sua
Estranha respiração enquanto espera.
20/01/2018
© João Tomaz Parreira
domingo, 2 de setembro de 2018
OS LIVROS E AS ÁRVORES
que aquece a raiz das palavras breves.
a nervura do verbo no pecíolo
que sobe até às flores, no suporte
das páginas, dos ramos, o capítulo
das pétalas labiadas de tal arte.
que sobe até às flores, no suporte
das páginas, dos ramos, o capítulo
das pétalas labiadas de tal arte.
é o tronco que traz a seiva pura,
o rio da palavra que murmura
e desagua após mil marinhagens
o rio da palavra que murmura
e desagua após mil marinhagens
no mar da língua. na total candura
transporto os livros. a palavra dura
enquanto duram todas as viagens.
transporto os livros. a palavra dura
enquanto duram todas as viagens.
os livros são das árvores, as vagens
cujas sementes gradam na leitura
cujas sementes gradam na leitura
josé félix
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