sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A FALA DO SILÊNCIO - por José Felix

a fala do silêncio

tenho a água que me resta
da sede que me coube em partilha.
cada gota na língua é um nódulo
íngua de ferida que renasce
em cada limo.
pertence-me esta sede, benévola
liturgicamente guardada no pólen
dos lábios, na fala do silêncio mais íntimo
onde a humidade afaga o húmus
o fogo da semente da primeira palavra


José Felix

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