domingo, 30 de setembro de 2018

DEDICO AO MAR


Que do seu barco caiu
O rio te engulio
O teu corpo sumio
Nunca mais ninguem te viu
Foste levado para o mar
Eu sempre te senti perto mim
Algo que não sei explicar
Tantas noites estás junto de mim
Como tenho esse sentimento
Pouco a pouco trasmitido
Deve fazer parte de algo
O qual eu não acredito
Á noite prescuto o mar
Oiço um cantar
Custa-me a acreditar
Sérá que alguém quer falar
No verão ou no Inverno
Sinto o teu chamar
Olho para o mar
Até que me mandas deitar
Adoravas o mar como eu
Un dia nos vamos encontrar
Abraços e cantigas
Vamos os dois ensaiar
Deste-me o amor pelo mar
Eu nunca te agradeci
Temos tempo para partilhar
Eu prometo que vou lá estar
Vais continuar a cantar
Eu ouvindo canções de embalar
Meus olhos sempre postos no mar
Pois muito perto de ti estou a morar
O Satanás 

M.P."Bica"

domingo, 23 de setembro de 2018

AOS AMIGOS


Poeta? Não sou! Pois tudo quanto escrevo em verso
Esvai-se como fumo em sombra de lonjura 
Ou como fogo-fátuo em noite espessa, escura,
E sinto-me em vazio tristemente imerso!

É certo que por todo o vasto Universo
Me lanço com ardor e sempre na procura
De harmonia, de luz, de beleza e de candura,
Que possa traduzir em poema lindo e terso.

Mas ao reler o que traduzo em poesia,
Vejo nesse intenso desejo que me guia,
Uma pálida imagem dum sonho de infância.

Porém... relendo, uma vez mais, o que escrevi,
Talvez eu seja um poeta em musa que sorri
Ao meu gosto secreto duma inata ânsia.


J. Corredeira

domingo, 16 de setembro de 2018

O MEU PEDIDO


---Quando eu morrer!
Quero que ninguém chore por mim,
Que me dêm sepultura...
Pobrezinha, como os demais,
Um monte de terra escura
Bem juntinho ao de meus pais!
Onde eu possa finalmente,
Voltar como toda a gente,
Ao triste pó de onde vim!...
É só isto que espero,
Quero um caixão pobrezinho!
Onde não ponham flores,
Pois eu, corpo triste,
Chaga sem dores,
Comecei a viver
Na saudade dos que vivem.
E se eu lá longe morrer,
Não me deixem lá ficar,
Não se esqueçam que pedi;

Eu só quero repousar,
---Na terra onde nasci!...

Floriano H. Silva
HC,


domingo, 9 de setembro de 2018

A IDADE DO ESCURO


Como uma criança que pára no ângulo de um quarto escuro
Antes de entrar avalia os ruídos intocáveis, os silêncios
Que podem estar no fundo dos móveis, conhece com a luz
O que as gavetas guardam, mas no escuro outros receios
Vêm à flor da pele, Como uma criança que está perante
Os doces escondidos no armário e aguarda
Porque as mãos recusam, o que a ideia de pecado faz sentir
Deus atrás das latas, Como uma criança que ouve a sua
Estranha respiração enquanto espera.
20/01/2018
© João Tomaz Parreira

domingo, 2 de setembro de 2018

OS LIVROS E AS ÁRVORES


verto nas mãos os livros. como a águaque escorre livre do folhear das árvores,semeio a sede nos lábios, a frágua
que aquece a raiz das palavras breves.
a nervura do verbo no pecíolo
que sobe até às flores, no suporte
das páginas, dos ramos, o capítulo
das pétalas labiadas de tal arte.
é o tronco que traz a seiva pura,
o rio da palavra que murmura
e desagua após mil marinhagens
no mar da língua. na total candura
transporto os livros. a palavra dura
enquanto duram todas as viagens.
os livros são das árvores, as vagens
cujas sementes gradam na leitura
josé félix