sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ARTIMANHA - de José Felix


artimanha


"No fundo do mar
ninguém escreveu os versos"

nas glaucas águas adormece
a tábua velha do naufrágio
como um amor que não fenece;
um mito, um conto, um adágio.

madeira idosa do navio,
de um camarote ou de um porão,
mantém a cinza do pavio,
o ardor, o lume da paixão.

revive assim a velha nau
com a palavra semeada,
no fundo do mar sem degrau,
que sobe verso a verso a aguada.

madeira na água sobrevida
com artimanha e nova vida 


josé félix

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