segunda-feira, 18 de maio de 2015

CHUVA NA SEARA


Primeiro o vento, raivoso, em turbilhões
Move a seara numa louca dança
Anunciando a chuva que avança
Distribuindo faíscas e trovões.

Vibrando, a chapa de zinco do telhado
Ensurdece quem dela faz abrigo
Enquanto que lá fora o loiro trigo
Pela chuva e pelo vento é fustigado.

Cai forte, sim, mas não demora
A chuvada que por essa terra fora
Vai formando charcos e torrentes

E quando a nuvem negra vai embora
O sol, brilhando, activa e revigora
A vida adormecida nas sementes.

José Carvalho
Ouaninou, 22 AGO 95

4 comentários:

  1. É lindo Zé, saíste-me um poeta de mão cheia. Parabéns. Grande Abraço

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  2. Excelente; É bom encontrar quem, para além do cumprimento das suas obrigações profissionais, consegue pôr cá fora algumas das belezas que povoam a alma do Ser Humano!

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  3. Bonito o poema e uma grande verdade o que ele nos transmite. Parabéns Zé

    Sérgio Durães

    OPC 1/68

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